Massacre no Rio de Janeiro: Papo Reto pra Comunista.

Não é de hoje que o Estado brasileiro dá amostras de sua postura violenta e essencialmente racista (capitalismo brasileiro que é de via colonial). Basta lembrarmos da repressão realizada desde revoltas de escravizados (vide a dos Malês) até a expulsão pela reforma Pereira Passos da população que vivia no centro do RJ ou do massacre dos meninos que moravam nos pés da igreja da Candelária.

O complexo da Penha, um dos alvos da operação policial, foi lugar, junto a igreja da Penha, de uma resistência quilombola com a ajuda do Padre Ricardo, que não raramente “escondia” os que se voltaram contra a escravidão.

Vale citar também a primeira favela do RJ, no morro da providência, que na época abrigou ex escravizados e pessoas que lutaram na guerra de Canudos. Lembrando que, assim que “soltos”, a esses ex escravizados nada lhes foi dado. Nenhuma garantia social como casa, indenização, etc. Na verdade, no Brasil quem foram indenizados foram os senhores (inclusive boa parte de seus descendentes hoje detém grandes lotes de terra).

Morar em cortiços como no centro do RJ ou se abrigarem nas “margens” da cidade era um caminho mais concreto dentro de uma sociedade extremamente racista que não queria ver “preto andando por aí”. Inclusive a elite brasileira até tentou uma política de branqueamento da população no século passado, mas acabou não surtindo o efeito que esperava.

O que aconteceu no RJ esses dias é só mais uma amostra de um processo que inegavelmente tem um caráter racista, mas que também representa os interesses de alguns grupos. A quem serve toda essa matança? A ver se haverá uma mega operação contra as milícias…sabemos que não ocorrerá. Trata-se de, talvez, o futuro poderá dizer, uma forma de realocar o poder para as mãos dos paramilitares (ou pelo menos dar uma ajudinha).

Perguntas como: como a arma chega aos morros? Como a droga passa pela fronteira? Por que se mata tanto e os tais crimes nunca acabam no RJ? Todas essas questões ficam no ar, são misteriosas…

O papo reto que precisa ser dado nesse momento por parte dos comunistas é: galera, pedir fim da violência policial, fazer projeto de lei pra ver se passa num plenário composto majoritariamente pelos representantes dos maiores crápulas da sociedade brasileira, não vai adiantar. É preciso juntar os cacos e afirmar a necessidade de superar o Estado, a propriedade privada, a família monogâmica e o capital.

Não há capitalismo sem pauperização, sem criminalidade e sem corrupção. Enquanto a lógica da acumulação de capital, do quanto mais dinheiro melhor, existir, nada vai mudar substancialmente.

Em particular no RJ, o Estado nutre uma relação contraditória com tais organizações que ele depois prega combater. Favores aqui e acolá e em outro momento uma invasão aqui e acolá…

A existência de tais organizações são fundamentais para o controle de todo proletariado que vive nas comunidades. Imagine se toda aquela galera descer na primeira grande crise econômica? Essas organizações acabam por fazer uma contenção e ao mesmo tempo, suprir as necessidades de quem ali mora de vez em quando.

Né segredo que, do ponto de vista imediato, vai parecer que o problema são as escolhas feitas por determinado indivíduo. “Olha, ele escolheu esse caminho do crime. Poderia ter escolhido outra coisa” essa narrativa é bastante presente na boca de inúmeros cariocas sedentos pela tal paz social. Só que o problema é que nesse tipo de narrativa nunca se coloca em xeque o sistema econômico vigente. Parece que os indivíduos possuem uma autonomia plena diante das determinantes sociais.

Nesse momento é preciso para de se iludir e achar que o Estado vai fazer algo de concreto e lutar por uma organização social em que todos possam ser protagonistas ativos. Em que cada um possa contribuir de acordo com sua capacidade conforme suas necessidades.

O primeiro passo, em particular no RJ, só o proletariado carioca/fluminense poderá dizer qual é quando bem organizado e a partir de suas experiências de luta, mas certamente não será com a mediação do Estado. Uma contraforça política é necessária. Fruto da autoorganização do imenso proletariado do Rio de Janeiro.

Quem sabe, a partir daí, a coisa não mobilize os demais Estados brasileiros… há luta!

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